Parcerias podem melhorar espaços públicos da Capital

Empresários começam a cuidar de locais até então mantidos apenas pela Prefeitura. Eles ganham em propaganda positiva e gratuita, enquanto a cidade ganha com os “apadrinhamentos”.

Do banco de concreto, Beethoven observa o grupo de meninos surgir com duas traves enferrujadas e uma bola surrada. Logo, o centro da Praça do Mirante, no Vicente Pinzón, vira campo de futebol. E é só o que tem a oferecer.

 

Tudo ali está entregue à própria sorte. Assim como tantos outros equipamentos públicos de Fortaleza. Algo passível de mudança, caso um modelo de manutenção destes logradouros ganhe ainda mais corpo.

 

Desde 23 abril de 2010, empresas privadas podem manifestar à Prefeitura interesse em cuidar de parques, praças, mobiliários urbanos e áreas verdes da Capital. Associações de moradores, sociedades amigos de bairros, centros comunitários e clubes de serviços podem fazer o mesmo. É o quê prevê o decreto nº 12.659.

 

Até agora, porém, apenas quatro logradouros são beneficiados pela medida. Praça do Ferreira, Praça Portugal, Praça Martins Dourado e Jardim Japonês são mantidas pela Casa Pio, CRolim Engenharia, Sociamigos e SP Combustíveis, respectivamente. Todas na circunscrição da Secretaria Executiva Regional (SER) II.

 

Assinado o termo de cooperação, é delas a responsabilidade de serviços de urbanização. “Existem outras sendo mantidas, só que informalmente; de acordo de boca. Mas a tendência é aumentar com o empresariado atentando para o ganho de propaganda positiva e gratuita, já que não há incentivo fiscal”, cita o coordenador da Comissão Fortaleza Bela Quero Te Ver, Moacir Tavares.

 

Frentes de ação

Esta semana, mais 38 equipamentos de Fortaleza podem ganhar padrinhos. Só a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) solicitou à administração municipal uma lista das 30 principais praças da cidade para captar interessados em mantê-las.

 

Os pontos foram escolhidos considerando-se o uso e o potencial de uso. Será uma na SER I, oito na SER II, duas na SER III, oito na SER IV, seis na SER V, duas na SER VI e três na SER do Centro. “O correto é o poder público cuidar de tudo. Mas, como o lençol é curto, abrimos estas possibilidades. E, se indicarmos locais ermos, o empresário não vai ter interesse”, justifica Tavares.

 

As oito demais já têm termo assinado. A Brazil Plant vai cuidar das praças do Náutico, da Bandeira e Pio IX; o Iprede reformará e manterá a praça Antônio Ferreira (em frente ao Instituto); enquanto as óticas Uirapurú manterão as praças Tupinambá da Frota, Antônio Carlos Martins, Ipiranga e Joaquim Nogueira.

 

Por fim, a Prefeitura promete reforma em outras 150 praças. Tudo até dezembro de 2012, quando termina o mandato de Luizianne Lins (PT). “É o único lugar que a gente tem pra brincar e não é tão perigoso. Mas falta brinquedo. Os que tinham, os ladrões levaram. Mas dá pra brincar de comidinha, vôlei, chocolate inglês, esconde-esconde…”, lista Gleiciane Cunha, 12. No colo, Beethoven – o cachorro de um olho só, guardião e alegria da molecada da praça do Mirante.

 

Por quê

ENTENDA A NOTÍCIA

As parcerias podem dar uma nova cara a espaços hoje esquecidos. Com o empresariado, fica mais fácil manter tudo em ordem. Mas é preciso conscientização sobre a necessidade de não depredar equipamentos públicos.

 

SAIBA MAIS

 

Os interessados em manter espaços públicos devem manifestar, formalmente, o interesse à Prefeitura em formato de carta de intenção e um plano de serviços para o local.

 

Tudo é publicado no Diário Oficial do Município (DOM). Se, em cinco dias, outro empreendimento se interessar pelo mesmo espaço, o projeto começa a ser avaliado por engenheiros. “Se não for interessante porque querem montar um ponto de comércio como contrapartida, por exemplo, a gente rejeita”, diz Moacir Tavares.

 

Caso o mantenedor não cumpra com o prometido, o termo de cooperação pode ser rompido. Neste caso, a Prefeitura comunica 30 dias antes do fim da validade.

 

Em praças, para cada 500 metros de área, o mantenedor pode fixar uma placa de “autopropaganda”. Em canteiros centrais, é a cada 200 metros horizontais. O modelo é determinado pela Prefeitura.

 

Segundo a prefeitura, também foram foram firmados termos para a instalação de 5.000 lixeiras na Capital (Sipex Soluções Urbanas); construção de 10.000 rampas de acessibilidade a pessoas com deficiência (Reimagine Solução em Comunicação); reforma e paisagismo do canteiro central da avenida Dom Luís (Pactuar Consultoria e Marketing Socioambiental); reforma da ciclovia da avenida Godofredo Maciel (Casas Pinheiro Distribuidoras de Alimentos); reforma e paisagismo do calçadão da Praia de Iracema (Pactuar); criação de 50 Academias para Todas as Idades (ATIs) em praças e vias a serem determinadas (F.R Avancci ME).

 

O POVO tentou falar com a CDL e o Grupo BSPar, mas não conseguiu contato até o fechamento desta edição.

 

Bruno de Castro
brunobrito@opovo.com.br

SOBRE A SIPEX

A Sipex é uma empresa especializada no desenvolvimento e implantação de soluções sustentáveis voltadas para a qualidade de vida nas cidades.

Dentre essas soluções, a colocação de coletores de resíduos em espaços públicos tem se revelado de grande eficiência para a manutenção da limpeza da cidade.

CLIENTES

  • Cliente Otica Diniz
  • Cliente Locaban
  • Cliente Newland